É inevitável, mas bem ou mal a gente sempre acaba esperando algo dos outros. Nem que seja um obrigado. Talvez a vida fosse bem mais simples, lágrimas fossem evitadas e corações fossem poupados se a gente simplesmente não esperasse nada. Mas a gente espera. Espera sempre. Espera pouco. Espera médio. Espera muito. O fato é que a gente espera alguma atitude, algum gesto, nem que seja abanar lá de longe, fazer um sinal de positivo com a cabeça, um sorriso com o olhar, alguma coisa (por menor que seja).
A falta de educação das pessoas é impressionante. Não sabem agradecer, jogam bituca de cigarro no chão, cospem chiclete no meio da rua, não limpam o cocô do cachorro, não se importam com o outro. Por favor, se importe com você. É bonito, é legal, é saudável. Mas se importe com o outro, com os outros, com o que você faz diariamente. Deite a cabeça no travesseiro tendo a certeza de que fez o melhor que podia naquele dia.
Não quero jogar no seu colo um papinho autoajuda, muito menos te convencer de que estou certa. É claro que normalmente prefiro estar certa. Mas isso não vem ao caso. Todo mundo está esquecendo de ser gentil, de abrir a porta, de segurar o elevador, de retribuir um bom dia, de fazer uma gentileza assim, gratuita, bonita.
Vou dizer que espero. Espero um retorno, espero educação, espero boa vontade. Penso: se eu faço o outro também pode fazer. Queria não me estressar tanto, não sonhar demais, não ficar esperando coisas mágicas. Mas sou assim, toda intensa, toda esperançosa nessa humanidade carente de atenção, afeto, carente de olho no olho, de cafuné e de compreensão.
A cada dia que passa eu observo com surpresa que os valores estão invertidos. Crianças se tornando adultas cada vez mais cedo, pessoas cada vez mais rancorosas, o mundo virando do avesso, ninguém se importa com nada, a não ser com o próprio umbigo. Isso me entristece e assusta. Por isso, vez ou outra perco a fé no ser humano. Mas aí vem um dia depois do outro e tento ver as coisas com um pouco mais de esperança, afinal, é o que resta para todos nós.
por Clarissa Corrêa

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